O Cérebro que cura? Parte 1


Quem nunca ouviu alguém a comentar que algumas pessoas não conseguem mudar mesmo que se esforce? e atrelam a essa resistência a traços da sua personalidade e que afirmam que são imutáveis. Saiba meu caro amigo, que existe sim a possibilidade de modificarmos os nossos comportamentos, atitude e até mesmo curar algumas doenças físicas e emocionais. 

A Neurociência é uma ciência que é discutida em vários âmbitos da nossa sociedade. Há algumas décadas atrás era conhecida como campo restrito as ciências ligadas à saúde e principalmente: Medicina e psicologia, mas hoje ela se tornou uma multiárea, encaixando-se em vários âmbitos sociais, educação, saúde, antropológico, tecnológicos, marketing e etc.

A Neurociência dedica –se a estudar toda a estrutura física e biológica do cérebro, suas divisões e funções. Não é à toa que a complexidade não é uma palavra suficiente para explicar toda a sua grandiosidade e características. Estima-se que não temos conhecimento total de 10% desse órgão, devido a ser enigmático ao todo.

Devemos entender que essa parte do nosso corpo é constituído por camadas que dignifica o processo evolutivo do homem desde a pré-história até a atualidade. Outro componente que devemos levar em consideração é sua composição química e elétrica que são responsáveis por inúmeras comunicações de informações conhecidas por sinapse que estão constituídos por células nervosas (neurônio).

Voltando a ideia anterior devemos entender que o nosso cérebro possui uma estrutura gelatinosa que é maleável contradizendo a ideias anteriores que era sólido sem nenhuma possiblidade de modificação. Outra ideia que devemos abandonar é que os humanos só usam 10% da capacidade cerebral, que logicamente é errada, comprovada no livro: O Cérebro que CURA do autor norte-americano: Norman Doidge. Nesta obra é explicado que é sim possível modificar o nosso pensamento-cérebro para curar algumas irregularidades que atormentam a nossas vidas.

O autor citado traz uma reflexão bastante instigante acerca dos processos psicológico, biológico e fisiológico do nosso cérebro. O autor apresenta através dos casos reais que fora aplicado a “neuroplasticidade” é a capacidade de modificar estrutura cerebrais para obter o “êxito” ou “cura” de alguns problemas que ocorrera durante a vida em caso de dor crônica, enxaqueca ou depressão e etc. 

A neuroplasticidade não é uma simples técnica que pode “do nada” ser aplicada aleatoriamente por pessoas quaisquer, não ela deve ser devida e ser acompanhada por profissionais que conhecem a sua funcionalidade (Médicos, psiquiátrica, psicólogos, psicanalista, hoje por alguns professores)

A Neuroplasticidade ocorre devido ao órgão ser maleável em suas estruturas biológicas. E como se fossemos uma máquina que possui a capacidade de aprender, modificar, esquecer e editar informações que estão consagradas em regiões da memória, principalmente a de longo prazo.

Para que podemos entender como funciona a neuroplasticidade precisamos entender o funcionamento de regiões que caracteriza as informações ou “conhecimento” em nosso cérebro. As sinapses são como teias de aranha que interligam em bilhões e trilhões de neurônios que passam informações química e eletricamente. Vejamos: O neurônio fisiologicamente formado por: dendritos, corpo celular, bainha de mielina e axônios.

Um exemplo bem prático que pode ser usado para entender é o seu braço com algumas 3 pulseiras a exemplo; os dedos abertos são os dendritos onde recebem a informação; o braço são como os axônios que processa a informação, a bainha de mielina são as pulseiras (elas são como atalhos que facilitam a passagem da informação, elas pulam entre as “pulseiras” para agilizar o processo) até nisso o cérebro é uma ferramenta eficiente, pois ele entende que iria demorar, caso passasse por todo o corpo.

Todas essas estruturas sinápticas ocorrem em velocidades extremas a trilhões de vezes em nosso cérebro, sendo impossível obter algum cálculo.  Uma vez o físico-teórico   Hawking disse que é muito mais fácil calcular e entender a complexidade do universo do que calcular a velocidade das sinapses do cérebro. Todavia nós já temos a noção do que o nosso cérebro é grandioso, complexo e extremamente enigmático, que falta ainda um longo caminho para compreendermos a sua totalidade.

Mas por que podemos nos reinventar?  Vamos pensar primeiramente na simplicidade. Se te perguntasse você é uma pessoa que possui pensamento positivo ou negativo, em ordem que te domina. Caso você afirme que seja negativo ou seu cérebro entenderá tudo aquilo que você pensa como verdade, ele ainda não possui a liberdade de “agir” sozinho e escolher o lado positivo, o nosso sistema “consciente e inconsciente fazem isso.

 O seu cérebro negativo criará a visão de “mundo” que ele entende ser a “correta” e agirá como tal, daí vem o pensamento que fulano não muda, por casa dessa ideia que concretizou “uma área” uma “teia de aranha” como já vimos anteriormente. Mas sabemos que pode mudar sim, lembra o nosso cérebro é “maleável” se temos a capacidade de construir novos campos sinápticos, podemos desconstruí-los, desde que praticamos o contrário do que fazíamos.

Veja um exemplo: imagine durante algumas semanas que tenha uma dor do braço, veja a dor, creia na dor, imagine a todo o momento que seu braço esteja doendo. Vai chegar um momento que “realmente” sentiremos uma dor insuportável, por que o nosso cérebro é uma devorador de informação, conhecimento e aprende tudo que queremos.

 O que acontece quando essa dor for concretizada? Teremos que tratar a dor que “criamos” rsrs com psiquiatra, ou psicanalista para “tirar” a dor que casamos. Independente da terapia que fazemos o que mudará é a estrutura sináptica que criamos, depois que disfarcemos a dor cessará.

Esse exemplo é bem básico a neuroplasticidade vai muito além disso, existe inúmeros fatores que acarretam essa teoria, mas o princípio básico é esse. No livro o cérebro que cura o autor usa esses mesmos princípios para tratar seus pacientes, básico é quando temos o domínio do sintoma conseguimos controlar a doença, o bom é que esse princípio atinge desde doenças simples até as que são incuráveis, neste último caso ressalto que mesmo que dominamos a doença em fator psicológico, não a curamos, porém é comprovado que o paciente diminui intensamente o sofrimento.

Continuar:

Cronograma para os próximos textos

IDEIAS PARA CONTINUAR A ESCREVER O TEXTO: O que podemos

  • A MÚSICA modifica o cérebro;
  • Caminhar aumenta a sinapse cerebral positivamente;
  • Ler é a principal atividade física para o cérebro;
  • Ansiedade e depressão: mudança de perspectiva da vida, o lado bom de pensar positivamente;
  • O que o budismo me ensinou: a arte de meditar aumenta a qualidade e eficiência cerebral;
  • Crer em Deus ajuda ao cérebro a desenvolver ;
  • A arte e fator gente boa podem criar?

REFERÊNCIA

DOIDGE, Norman. O cérebro que se transforma:  como a neurociência pode curar as pessoas-11º ed.- Rio de Janeiro: Record, 2018.

DOIDGE, Norman. O cérebro que cura: como neuroplasticidade pode revolucionar o tratamento de lesões e doenças mentais. – 1ª ed.- Rio de Janeiro, 2016.

DOIDGE, Norman. The brain that changes itself: stories of personal triumph from the frontiers of brain science. – New York: Penguin Books, 2017.

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