O que é ser normal hoje?

Na obra “o alienista”, de Machado de Assis, relembra a história inicial da formação psiquiátrica e da implantação dos primeiros manicômios, e a loucura dita como problema. A obra retrata a vivencia do Dr Simões Bacamarte, medico brilhante, com maior sucesso em alguns países da Europa, regressou a sua cidade natal Itajaí para se dedicar a cuidar dos loucos que ficavam nas ruas da cidade. Foi com essa intenção que o médico criou a casa verde espécie de manicômio, onde trancavam os doentes todos juntos.




O que nos remetem a lembrar segundo essa introdução a história dos manicômios e psiquiatria como Pinel fez no passado, o Sr.ª Bacamarte não usava critérios apenas médicos para definir quem era louco na cidade e que precisava de internato. O médico internava apenas aquele que causavam “espanto” na população “normal”, pois estes possuíam personalidade anormal, ou desequilíbrio emocional e eram encaminhados a casa de repouso. Sem esquecer que os loucos viviam todos trancados.




A obra o alienista é bem rica nas ideias que apresentam, fazem-nos refletir a todo o momento as condições que os loucos estão inseridos em nossa atual sociedade. O que defini uma pessoa “normal” ou “Louco”? sabemos que a nossa cultura impõe regras que definem a normalidade e que impedem que os seres humanos destruam sua própria raça, chamamos isso de civilização ou sociedade. Mas os loucos? Eles são anormais por que? Muitos não conseguem construir família, são excluídos da sociedade, por não se encaixar em nenhum grupo, a loucura retratada na obra ou na história da psiquiatria e até mesmo em nossa sociedade é pejorativa, desumana até hoje, por falta de informação por parte dos “normais”




As indagações do parágrafo anterior percebemos que a nossa sociedade construiu o conceito de loucura apenas para a exclusão, se tentássemos entender loucura um pouco mais, não teríamos tanto descaso como temos hoje. O louco foi transformado em toda a sua história, como possuidor de um dom extraordinário, alienado sem percepção da realidade ou que era domado pelo demônio ou por deuses. Por isso que teriam que estar trancado como “animais” quem podemos definir a loucura como problema? Será que os loucos são realmente loucos?




Com o passar do tempo essa história foi sendo transformada principalmente na Europa nas décadas de 50 à 70, com a reforma Italiana, Goriza, quando o Médico Basaglia que após a leitura da obra de Foucault reformulou a negação da psiquiatria, acreditava que esta ciência não era suficiente para o tratamento dos loucos. A Itália foi primordial para novas visões da reforma psiquiátrica na Europa e Brasil. Temos hoje a luta antimanicomial que retrata a negação dos manicômios/hospícios, que abrange um conjunto de reformulação e inclusão.
A obra alienista é uma excelente obra é bem recomendada para quem precisa entender a loucura e os manicômios no Brasil. O alienista traduz de forma completa a vivencia dos loucos e as condições que os mesmos foram prestados, definem conceitos, e nos rementem a reflexão do que a sociedade definiu como loucura.




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