Breve conversa sobre interdisciplinaridade.




A interdisciplinaridade é a integração de dois ou mais componente curriculares na construção do conhecimento, ela surgi principalmente na França e Itália, em meados da década de 60, época em que os movimentos estudantis, reivindicavam um novo estatuto de universidade e da escola. Os Europeus queriam o rompimento de uma educação por fragmentos, pois estavam sentindo a necessidade de romper com uma tendência desarticulada do processo do conhecimento, justificando-se pela compreensão da importância da interação e transformação recíprocas entre as diferentes áreas do saber.




A interdisciplinaridade é considerada uma inter-relação e interação das disciplinas a fim de atingir um objetivo comum. Nesse caso, ocorre uma unificação conceitual dos métodos e estruturas em que as potencialidades das disciplinas são exploradas e ampliadas. Estabelece-se uma interdependência entre as disciplinas, busca-se o diálogo com outras formas de conhecimento e com outras metodologias, com objetivo de construir um novo conhecimento. Dessa maneira a interdisciplinaridade se apresenta como resposta à diversidade, à complexidade e à dinâmica do mundo atual (Vilela e Mendes, 2003, p. 529).

Essa compreensão crítica colabora para a superação da divisão do pensamento e do conhecimento, que vem colocando a pesquisa e o ensino como processo reprodutor de um saber parcelado que consequentemente muito tem refletido na profissionalização, nas relações de trabalho, no fortalecimento da predominância reprodutiva e na desvinculação do conhecimento do projeto global da sociedade.



Em 1961, Gusdorf, apresentou um projeto de pesquisa interdisciplinar, a ideia central era de reunir grupos de cientistas para realizar um projeto de pesquisa com ciências humanas, essa ideia foi retomada por um grupo, patrocinado pela UNESCO, cujo trabalho foi publicado em 1968. Fizeram parte desse grupo, estudiosos Europeus e Americano, a ideia era indicar as principais tendências no sentido de organizar uma nova metodologia, a intenção era levantar hipótese para a construção das ciências do amanhã.



Os movimentos da interdisciplinaridade tiveram maior repercussão nos períodos de 1970, 1980 e 1990. Na década 70, foi um momento em que se partiu para uma construção epistemológica da interdisciplinaridade caracterizada pela busca de uma explicitação filosófica. Neste período, os pesquisadores procuravam uma definição de interdisciplinaridade e esta década pode ser grosseiramente indicada como a década da estruturação conceitual, cuja preocupação fundamental era a explicitação terminológica que implicava em compreender a palavra “interdisciplinaridade” nos seus aspectos semânticos e ortográficos, a necessidade de conceituar, de explicitar, fazia-se presente por vários motivos: interdisciplinaridade era uma palavra difícil de ser pronunciada e ainda mais de ser decifrada. O destino das ciências multipartida seria a falência do conhecimento, pois na medida em que nós distanciássemos de um conhecimento em totalidade, estaríamos decretando falência do humano.



A década de 80 foi um momento para a explicitação das contradições epistemológicas decorrentes da construção do período anterior, caracterizado pela busca de uma matriz sociológica. Os pesquisadores tentavam explicitar um método para a interdisciplinaridade. O movimento da história da ciência na década de 1980 foi um movimento que caminhou na busca de epistemologia que explicasse o teórico, o abstrato, a partir do prático e do real. Década de 1990: Constrói-se uma nova epistemologia, a própria da interdisciplinaridade em busca de um projeto antropológico. É a fase da revisão atual do conceito de ciência em que há exigência de uma nova consciência, não apoiada apenas na objetividade, mas que assume a subjetividade. Dá-se a constatação de que a condição da ciência não está no acerto, mas no erro; passou-se a exercer e a viver a interdisciplinaridade das mais inusitadas formas, mas no erro;




O que está presente nesse novo ciclo ou paradigma de alteridade é que a objetividade científica ou verdade reside única e exclusivamente no trabalho de crítica recíproca dos pesquisadores, resultado de uma permanente construção e conquista, de uma teoria que se coloca permanentemente em estado de risco, Na qual a regra fundamental metodológica consiste, como diz Japiassu, na imprudência de fazer do erro uma condição essencial para a obtenção da verdade (FAZENDA, 1995, p.42).




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