Brasil e a Interdisciplinaridade




Na década de 70 dois aspectos são fundamentais: o primeiro é o modismo que o vocabulário desencadeou. Passou a ser palavras de ordem a ser empregada na educação sem se atentar para os princípios, muito menos para a dificuldade de sua realização, tornou somente produto das reformas educacionais empreendida em 1968 e 1971 nos três graus de ensino. O segundo aspecto é o avanço que as reflexões sobre a interdisciplinaridade passou a ter a partir de estudos desenvolvidos na década de 70.

Em meados da década de 1970, um dos primeiros autores a refletir sobre o termo interdisciplinaridade foi Hilton Japiassú, em seu livro ‘Interdisciplinaridade e Patologia do Saber’. Japiassú acentua que a interdisciplinaridade ou o espaço interdisciplinar “deverá ser procurado na negação e na superação das fronteiras disciplinares”.
Com respeito às questões interdisciplinares, dispõe-se nesse país, de muitos trabalhos de Ivani Fazenda. Para ela, a interdisciplinaridade é uma relação de reciprocidade, de mutualidade, um regime de copropriedade que iria possibilitar o diálogo entre os interessados (FAZENDA, 2002).




A década de 80 foi marcada pela elaboração de projetos que tinham por finalidade investigar alguns professores que tinham uma atitude diferenciada. Os dados da pesquisa feita por Ivani Fazenda revelaram que o professor interdisciplinar possui um grau de comportamento diferenciado para com os seus alunos, ousa novas técnica e procedimentos de ensino. A autora percebeu que esse docente é alguém que está sempre envolvido com o seu trabalho apesar de reconhecer o incômodo que provoca. Em todos os professores portadores de uma atitude interdisciplinar encontramos uma marca de resistência que impele a luta contra a acomodação embora em vários momentos pensem em desistir da luta.




A década de 90 foi marcada pelo grande aumento da interdisciplinaridade tanto nas instituições privadas como nas públicas. Em nome da interdisciplinaridade abandonam – se continuamente as rotinas consagradas. FAZENDA (1994) alerta sobre o perigo da proliferação e práticas intuitivas que em nome da interdisciplinaridade se apropriava de modismos, abandonando a história construída por um grupo docente, substituindo-a por slogans e hipóteses, muitas vezes improvisadas e mal elaboradas.




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